Museu de Arte Sacra

O município de São Sebastião é uma das cidades mais antigas do Brasil, embora o primeiro relato data de 1502 o município só começou a ser de fato povoado a partir do início do século XVII. Com um centro histórico tombado no ano de 1969 pelo CONDEPHAT (Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado de São Paulo) e alguns atrativos turísticos tombados pelo IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) a cidade possui o maior conjunto arquitetônico do litoral norte paulista.

Foto: Capela de São Gonçalo, Fotógrafo Vagner Pereira Gonçalves


No centro histórico, localiza-se a Capela de São Gonçalo, uma simples capela do século XVII construída com formato arquitetônico jesuíta com técnicas de alvenaria de pedra (Pedra, conchas, barro e óleo de baleia que ainda é contestada por alguns historiadores) que hoje abriga o Museu de Arte Sacra da cidade. Um fato muito interessante sobre a história dessa capela é quando os carmelitas ocupam a cidade e trocaram o santo protetor da Capela, o Santo Gonçalo, colocando a Imagem de Nossa Senhora do Carmo para as devoções religiosas por quase 100 anos aproximadamente.

Foto: Altar de São Gonçalo, fotógrafo: Vagner Pereira Gonçalves


Dentre as peças presentes no museu, encontram-se imagens sacras dos séculos XVII, XVIII e XIX e objetos religiosos do início do século XX. Apesar de ter a função de museu, o local ainda recebe muitos fiéis que vão fazer suas orações e agradecer à graças alcançadas. Anualmente, a imagem do Nosso Senhor dos Passos do século XVIII, sai da capela e vai ao encontro da Imagem de Nossa Senhora das Dores na Igreja Matriz para a procissão da Paixão de Cristo na Semana Santa.


Algumas peças são muito curiosas, um exemplo é uma tela do século XIX de São Sebastião, na verdade uma releitura de autor desconhecido de pintura de óleo sobre tela, onde o Santo Sebastião é retratado com um bigode. No mesmo local é possível ver os fragmentos dos chamados “ Santos Emparedados” encontrados na parede da Igreja Matriz de São Sebastião durante o restauro da igreja no ano de 2001, a imagem de Santa Luzia com uma nova releitura ( com os olhos e cabelos castanhos, se opondo a arte europeia) feito de barro cozido também de autoria desconhecida datada de 1652, pois o autor ou autora gravou o ano na parte de trás da peça.


Foto: São Sebastião óleo sobre tela. Fotógrafo: Vagner Pereira Gonçalves

Foto: Imagem de Santa Luzia (1652). Fotógrafo: Vagner Pereira Gonçalves


Os detalhes da capela são incríveis e revelam a presença dos “cristãos novos”, pessoas perseguidas na Europa que foram convertidas ao cristianismo e vieram para o Brasil, porém com traços de rituais de suas culturas como a maçonaria aplicadas a objetos e arquitetura como o altar mor, cimalhas e guirlandas. Outro fator que chama a atenção, é que o local era utilizado para diferenciar a elite rica e branca, da classe pobre descendente de povos originários e escravizados da época.


Aconselha-se sempre a contratação de guia local para conhecer o espaço, mais informações no site www.goncalvesturismo.tur.br ou instagram @goncalves_turismo_sp


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