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Onde a cordilheira vira areia: a paisagem que guarda Fiambalá (Argentina)

Foto do escritor: Vagner Pereira Gonçalves
Vagner Pereira Gonçalves
14 de out.
2 min de leitura

Há lugares que parecem mudar de natureza à medida que avançamos; em Fiambalá, Catamarca, a cordilheira marca o horizonte enquanto a paisagem se transforma até encontrar as vastas extensões de areia que fazem desta região um dos cenários mais singulares do norte argentino.



As Dunas de Tatón,  nos arredores de Fiambalá, oferecem exatamente essa sensação: um território onde a imensidão, o silêncio e as formas da areia criam uma experiência difícil de transmitir por meio de uma fotografia; ali, a paisagem ganha outra dimensão e a viagem deixa de ser apenas um trajeto para se tornar uma forma de observar o território.



A experiência de conhecer esse lugar também permite compreender que Fiambalá não se define apenas por suas paisagens. Por trás de cada roteiro, existe uma comunidade que desenvolveu diferentes maneiras de receber o visitante e de incorporar a identidade local à experiência turística. É nesse contexto que surge a Killa Qullqi, uma pousada que, desta vez, recebeu integrantes da Organização Mundial de Jornalismo Turístico (OMPT) durante sua passagem por Catamarca. Mais do que uma parada no roteiro, o estabelecimento serviu como um espaço para vivenciar outra faceta do destino: sua arquitetura, seus sabores e a hospitalidade de seus habitantes.



Susana Castro, representante da Killa Qullqi, explicou durante a visita que a pousada foi concebida com base em uma arquitetura regional na qual predominam o adobe, a madeira e a pedra — materiais que também contribuem para o isolamento térmico de suas 34 unidades. Tetos de madeira e cana, mobiliário artesanal e tecidos ligados à identidade local completam uma proposta que busca manter uma relação direta com o entorno. A gastronomia também ocupa um lugar importante nessa experiência: os sabores somaram-se à narrativa do território e permitiram descobrir Fiambalá sob outra perspectiva, não apenas pelo que se vê, mas também pelo que se compartilha.


No entanto, talvez uma das frases de Susana Castro resuma melhor a dimensão que uma experiência turística pode alcançar quando consegue se conectar com seu território: “O turismo é a engrenagem das economias regionais”. Em Fiambalá, essa engrenagem ganha diferentes formas de movimento: está nas dunas que atraem quem busca paisagens extraordinárias, na cordilheira que acompanha o trajeto, na gastronomia que reúne visitantes e anfitriões e em estabelecimentos como a Killa Qullqi, onde a arquitetura e a hospitalidade também contam parte da história. Afinal, depois de percorrer uma paisagem de areia que parece se estender até o horizonte, também importa onde o viajante faz uma pausa, o que encontra à mesa e quem está por trás dessa experiência; e, em Fiambalá, o deserto não termina quando acaba o passeio pelas dunas: ele continua vivo na memória de quem o visita.



Texto original escrito por: Kevin Casanova - Colômbia

Tradução: Vagner Gonçalves - Brasil



 
 
 

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