Quyllur Ñan: Milhares de Anos de História em Vinchina, Noroeste da Argentina

Em Vinchina, a oeste da província de La Rioja, um antigo edifício de adobe, madeira e cana guarda parte da memória do Vale do Bermejo. Ali encontra-se o Museu Quyllur Ñan, cujo nome significa "Caminho das Estrelas". Ao entrar, os visitantes embarcam numa viagem através de milhares de anos de história, rodeados por ferramentas, cerâmicas, estatuetas, fósseis e artefatos dos povos que habitaram este território.

A visita começa com Ariel Vargas, que acolhe os visitantes e reconstrói a história através das peças que o museu abriga. Muitos desses artefatos vieram de diferentes partes da região e foram doados por famílias que os preservaram durante anos. Ferramentas e pontas de pedra são exibidas em frente às vitrines, permitindo aos visitantes imaginar a vida dos primeiros habitantes, enquanto outras peças ilustram como eles incorporaram a agricultura, a cerâmica e a domesticação de animais.

Um dos momentos mais marcantes se revela ao contemplar a cerâmica tradicional de Aguada e Belén. Suas formas, núcleos e representações são fiéis ao cotidiano, mas também às crenças dessas comunidades. Na cultura Aguada, destaca-se a figura do felino, ou onça-pintada, ligada ao seu universo simbólico. À medida que Ariel explica cada peça, os objetos deixam de ser meros artefatos antigos e passam a contar as histórias de quem os criou, os utilizou e os impregnou de significado.
A narrativa conduz, então, à história dos Incas, outro capítulo fundamental para a compreensão da história da região. A presença do antigo Qhapaq Ñan, na Estrada Inca, conecta Vinchina a uma extensa rede de estradas que atravessa o território andino. O nome do museu adquire, portanto, um significado especial: "Caminho das Estrelas", expressão que engloba o antigo gás fragmentado, os vestígios de duas partes e uma relação que mantém com essa paisagem.

Mas a história preservada em Quyllur Ñan remonta a tempos muito mais antigos. A sala de paleontologia permite aos visitantes observar de perto fósseis ligados a locais como La Troya e descobrir que este território já possuía uma história de milhões de anos antes da chegada dos humanos. A isso se somam os petróglifos, geoglifos e outros exemplos de arte rupestre, incluindo as famosas Estrelas de Vinchina, que mostram como as comunidades antigas também deixaram sua marca diretamente na paisagem.

Ao final da visita, os artefatos ganham um novo significado: uma ferramenta fala de sobrevivência, a cerâmica de costumes e crenças, um rastro de deslocamento de povos antigos e um fóssil de um passado muito mais remoto. O Museu Quyllur Ñan convida você a ver Vinchina sob uma nova perspectiva: não apenas como uma paisagem a ser explorada, mas como um território repleto de vestígios, histórias e memórias ainda à espera de serem descobertas.
Escrito por : Kevin Casanova -Colômbia
Traduzido por: Vagner Gonçalves - Brasil









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